Deve-se dedetizar sua casa a cada seis meses para evitar a proliferação das formigas

O botânico francês Augustin Saint-Hilaire visitou o Brasil no século 19 e, assustado com os efeitos do calor insuportável, que fazia proliferar insetos de todos os tipos, fez uma frase de efeito que se tornou histórica: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Quase 200 anos depois, a cidade de São Paulo enfrenta uma verdadeira invasão de formigas que têm atormentado a vida de muita gente. Segundo a Aprag (Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas), a incidência desse tipo de inseto aumenta naturalmente cerca de 25% no calor e neste verão teve um acréscimo de 15% sobre o verão passado.

“O aumento na incidência dessa praga urbana está associado ao desenvolvimento urbano e ao crescimento das cidades”, disse o biólogo Sérgio Bocalini, vice-presidente da Aprag. “E ela não é tão inofensiva como se pensa”, afirma.

Segundo o biólogo, a formiga pode funcionar como vetor de várias doenças e deve ser eliminada de dentro das casas. “Do mesmo jeito que elas circulam pelos cestos de lixo dos sanitários elas andam sobre os alimentos, levando micróbios nocivos à saúde”.

Bocalini disse que alguns cuidados básicos podem evitar a proliferação do inseto. “Vedar frestas de pisos, azulejos, portais e de outros locais que ofereçam condições de abrigo para as formigas é uma atitude que faz toda diferença”, afirmou. “Além disso, cuidados básicos de higiene, como não deixar alimentos expostos na cozinha e evitar levar comida para o quarto ou escritório, também ajudam”, diz o especialista.

A dona de casa Odete Garcia, moradora do Jabaquara, na Zona Sul, contou que já tentou de tudo mas não consegue se livrar das formigas. “Eu amarro o saco de pão para elas não entrarem, deixo o açucareiro dentro de um pires com água, mas não adianta”, disse. “Elas surgem de onde a gente menos espera”, declara.

No refeitório da empresa onde trabalha o administrador Jocleilson Santos, também na Zona Sul, nem mesmo a dedetização resolveu o problema. “Elas mudam o comportamento conforme vamos isolando os alimentos”, disse. “Escondemos o açúcar e elas vão no pão”, contou. “Tiramos o pão de circulação e elas vão nas frutas. É um inferno”, diz.

O biólogo da Aprag disse que o tipo mais comum dentro das residências é a chamada “formiga fantasma”, ou Tapinoma melanocephalum, espécie que tem o hábito de se movimentar em fileiras perfeitas, preferencialmente infestando alimentos ricos em açúcar.

Segundo Bocalini, quando o problema é recorrente, é necessário, além da mudança de hábitos, subsídios de especialistas. “Deve-se dedetizar a cada seis meses o local por empresa licenciada junto à Vigilância Sanitária e com registro profissional do técnico responsável”, afirmou. “E os produtos devem ter registro da Anvisa”, finaliza.